Homem, Religião e Política

Índice Geral

Apresentação

Introdução

Homem

Pensa e Existe

Desde o Nada

Viu que Era Bom

Imagem e Semelhança

Mulher em Poesia

Em Poesia

Predestinada

Muito Mais

Homem, Machão

Filho de Mulher

Uma Serventia

Todo Dependente

Desde Criança

A Concepção

O Nascimento

O Crescimento

Até a Velhice

A Juventude

A Adultice

Depois

O Jeito de Fazer Oportunidade

Quem Quer

O Otimismo

O Pessimismo

Todo Mundo é Bom

Meu Direito

Frutos do Meio

Vendo as Circunstâncias

Tudo é Muito Ruim

Minha Teologia

Ajuda a Religião

Ajuda a Submissão

Tudo é Muito Fácil Viver

Deus é Fácil

Família é Fácil

Mundo é Fácil

Morte, Melhor Amiga Certa

A Morte I

A Morte II

A Morte III

Religião

Religare

Primeira Tentativa

Qualquer tentativa

Tentativa Universal

Todas as Religiões

O Ateu

Boas Intenções

Todas Elas

Cristianismo

Ação Histórica

Entre Muitas

Única em Si mesma

A Igreja Católica

Justificando Erros

Igreja da Maioria

Erros e Boa Intenção

O Evangelicalismo

A Reforma e Seus Filhos

Preço da Liberdade

A Flor das Flores

O Intelectualismo

Uma História

Loucura aos Sábios

Ao Intelecto

Emocionalismo

Outra História

Confundir Emoção

À Emoção

e a Política

Necessidade Temporal

O Fim e os Meios

Sem Provocar

A Teologia-mãe

Crer na Trindade

Crer na Graça I

Crer na Graça II

A Teologia-Filha

E a Bíblia

E o Parecer

E o Sentir

Política

A Política

Arte Bendita

Dominação por Excelência

A Excelência

Os Políticos Nefastos

Todos os Tipos

E Se Não Fossem?

Os Inesquecíveis

Os Políticos Fastos

Poucos Tipos

Vale a Pena?

Os Esquecidos

O Povo Sofrido

Motivo de Poesias

Motivos de Reeleições

Sempre Haverão

O Povo Culpado

Ciclo Vicioso

Gostar do Engano

Precisa ser Mantido

As Gentes Beneficiadas

Quem Está Errado?

Pensar no Coletivo?

Dar a Vida por Eles

Os Falsos Gritos

Mídia Inimiga

A Justiça

O Discurso

Tudo é Política

O Poder Manda

Sempre Foi Assim

Tudo Feito Pra Isso

O Passado

Éramos Escravos

Éramos Vassalos

Éramos Dominados

O Futuro

Como Democracia

Como Socialismo I

Como Socialismo II

Introdução

Acordei

Calado num sono profundo, distante,

Casado com o silêncio constante

Me esmerei pelo tempo a fora

Carregando fantasmas pesados

Cheios de enfados tolerantes.

Como sobrevivi?

Como passei sem nada dizer?

De que forma atada

Se manteve eufórica pesafosa

Talhada nesta peça amada

Carente de grito?

Por que acordei?

Por que me assustei desse sono?

Como tomo esse bocejar?

É hora de acordar?

Chega o momento de falar

O tempo de ganhar o mundo

De vencer barreiras

De ganhar todas as luzes

Por falar cantando

E dar todo encanto

Aos versos que, do coração,

Se afanam em canção

Dando formas a sentimentos

A reclames e registros.

Ave! Poesia

Salve poema da voz

Acordei pra te viver mais

Pra te curtir com paz

Em que tempo posso fazer poesia?

Qual o meu melhor momento?

Só nas idas e vindas, da magia,

Nas caminhadas improvisadas

Na marcha volante gemida.

Antes de tudo, eu lia, relia,

Depois de tudo, eu marquei

Agora de tudo, eu escrevo

Passo a passo a memorar

A música que dos lábios vejo.

Qual a letra do poema?

Que preciso exclamar?

É o que não preciso me preocupar,

Se planejo acontece

Se me escuto, acontece

Cada vez, cada caminhada,

Com certeza a minha sina

Saberá me encaminhar.

As retiradas do meu dia a dia

Do meu cotidiano angélico

São o tempo de que preciso

Com jeito e façanha da guia

Pra cantar em todo verso

O meu sonho genérico

De poeta, de cantador submerso

Em toda prosa a florescer.

Bons olhos de ver o mundo

Entusiasmo de rir a toa

Vigia seleta de observar a vida

Um caso entusiasmo que nos soa.

Hão há males

Não há ruins

Não consigo lamentar agruras

As circunstâncias se mostram duras

Elas podem me ferir.

Mas eu não cedo, não choro

Não vejo porque entristecer.

A vida é assim

O tolo abraça o urubu

Assume olhos de carniceiro

E se debruça em lixeiros.

O sábio, que quer ser sábio,

Busca o beija-a-flor para se abraçar

Assume os olhos coloridos, floridos,

E se debruça no se alegrar.

Eu não sou tolo

Não gosto de ser meu inimigo

Confio, descanso no meu Deus

Aproveito que Ele sabe como agir

Deleito-me em Sua provisão.

Como ser diferente?

Como poderia me ser diferente?

Como eu conseguiria não ser assim,

Se tudo é assim

E eu não consigo ver diferente?

É tudo uma questão

De ser diferente.

Pensa e Existe

Desde o Nada

No vácuo da existência, o homem já era

Para ele, por ele, o universo foi estendido

Querendo receber o melhor dos propósitos,

Como pais a aguardar o primogênito amado,

Deus organizou tudo, plantou e deu vida

E o grande Édem da Terra estava pronto,

E Deus saboreou sua melhor inspiração.

No desejo do Pai, no Seu largo tempo

Uma alegria infantil cheia de contento,

O Todo Poderoso gerou sua máxima criatura,

E deu forma ao destino, a todos os ventos

A tudo que anteviu no desenrolar das diabruras

Nos desagasalhos que Seu “hominho” daria,

E as amarguras que Seu feito faria.

Deus gerou numa gravidez de milênios

Numa aventura de previsões e cálculos,

Estabelecendo leis naturais e morais,

Fazendo ambientes e projetos nos tabernáculos

Atrevendo-se a criar o que não seria robô

Gentes de vontades e teimosias histéricas.

Nos bilhões que gerou tudo e todos,

Nos bilhões que varou a criação para criatura

O criador paciente, calculista e criativo,

Excessivamente criativo a toda prova doçura,

Se aventura, se avança no entusiasmo

De pagar caro, caríssimo, para ver acontecer,

Bilhões, que depois de tanto tempo, no porvir

Haveria de se perder, estar condenado

Jogado nas grutas da escuridão da dor

Na infância do terror do arrependimento tardo

A areia do mar, em todos os punhados,

Para eternizar-se com pouquíssimos

Gente pouca, mas o fruto do fruto do Seu fruto,

A premiação do correr do tempo elétrico,

Da paciência de “trilênios” de cantuários

Um jeito folgado de ver o que se gera

De sonhar e iver na alma, o que se espera.

Viu que era Bom

E o homem surgiu de sua eterna geração.

Evolução ou criação, ele tornou-se gente.

Num toque de dedo, metamorfosiou-se,

Num fechar de olhos, sagrou-se “alma vivente”.

O dia assistiu a criatura das criaturas,

Pelo fôlego que instou no coração da mente

Refletiu a eternidade de gestação madura

Refletiu a eternidade daquele momento sublime

Refletiu a eternidade que estava para ver.

A criação se fez

O primeiro Adão encerrou tudo que parecia ser feito

Todos arranjos para todos os milagres depois

Todas as leis e manias da natureza esperta

Todas exceções possíveis a exercer

Tudo pronto, até que o homem surgiu.

Numa primazia de inspiração divina

O Criador se superou em todos Seus feitos,

Sua perfeição se manifestou extravagante

E num êxtase, num estalo de exaltação

O sonho se tornou realidade bem viva

Milênios de preparação se confirma.

Deus começou a se fazer homem.

“Viu Deus que era bom”

Aprovava o último feito inserido no todo

Numa última palavra de aprovação

A criatura personificava todos os propósitos

Encarnava os anseios do próprio coração

Aforava em reticência e entusiasmo

As preferências alarmantes na criação.

Vendo que era muito bom,

Deus anunciava, com tranqüilidade divina,

Que tudo estava consumado, estava feito,

Todas as providências já compunham Seu amor.

Cada passo visível, invisível, da criação

Foi dado com a perfeição que Deus não se nega,

Cada um testemunhando o Todo Poderoso

A soberania que a sabedoria tem e emprega

O amor e o carinho que Ele não tinha como esconder.

Imagem e Semelhança

Dos sonhos e milênios do Criador do universo,

O homem tornou-se gente, era muito bom!

Corpo, alma e espírito, e povoou a extensa criação.

Imagem e Semelhança com o Todo-Poderoso

Acima de todos os feitos divinos na elaboração

Eis que a alegria da eternidade passou a existir.

Não era um robô, uma máquina para obediência

Não era um programa encarnado, para cumprimentos,

Era uma mente pensante capaz de querer diferente

Uma vida possante, estigada a ser rebelde em tempos

Façanha hermética de tesouros escondidos.

Sem medos ou frustrações em seus atos

O Criador lançou mão a fazer este homem

Deu-lhe toda corda possível em seus potenciais

Deu-lhe, da mesma forma, o bom senso e a intuição

Deu-lhe com mais calor, a inteligência e a perspicácia

E com tudo isso, o poder de usar esta corda fatal

Para apanhar, água na cacimba de salvações

Ou estirar em galhos, para se enforcar.

Indo e vindo por entre todos os criados

Sendo imprevisível entre as criaturas previsíveis

Decidindo, esquecendo, errando, fazendo acontecer,

O homem iniciou seus primeiros passos atentos

Rumo ao futuro, ao progresso, aos melhoramentos,

Fez o que não havia, mudou o que precisava

E o tempo foi se desenhando com traços perfeitos

A névoa da limitação foi se esgueirando a desaparecer.

Caminhando entre a obediência e o desobedecer

Relutando entre o buscar e o devanecer

A humanidade, “imagem e semelhança”

Atravessou os pântanos e distúrbios do vento

Aventurou-se no ousado e na benta heresia

E demonstrou com sabores de entretenimento

Que Deus calculou tudo, não tinha enquête vazia

Valeu a pena milênios de preparos e feituras

Para hoje, em estanidos de inspiração e agruras

Reconhecer que temos muito do nosso Pai.

Mulher em Poesia

Em Poesia

Deus se superou e criou a mulher!

Perfeccionismo extravagante de ser Deus.

Depois de tanto ensaio, buscando melhorar

Chegou ao homem, mas queria mais e fez!

Num rompante de profunda inspiração

Os dedos celestes desenharam a beleza

A alva criadora demarcou a alma feminina

E a humanidade foi aperfeiçoada a uma canção.

Nas curvas da silhueta e do carinho de ser gente

Na brandura do falar, do pensar e do agir

Sapiência, inteligência e conveniência de vida,

A mulher surge no momento máximo

Quando parecia que o Criador encerrava.

Encantada depois de ser feito o outro

Ela toma seu lugar de rainha, de fantasia

Derrama encanto por toda a imensa criação.

Assistiu e participou pessoalmente

Deus se contemplava no todo da sua criatura última

Ele se realizava na formosura contente.

Era a flor que faltava ao jardim verde

O toque genuíno do bom gosto invejável,

A assinatura na obra de arte do Deus eterno.

A deliciosa cantura veio dar espírito, alma

À parte de Deus contida em todo ser.

Veio para dar fundamento ao livre arbítrio,

Para inspirar homens a Deus e Seus planos,

Para conspirar o resto ao inferno.

Se é grande o braço do Senhor

Mantendo bênçãos e alegrias ao mundo cruel,

Trazendo bom senso e fraternidade do amor

É também, portadora das agruras do fel

Esteio alado, motivo contundente da dor

O adendo motivador dos efêmeros de réu.

Mulher, é dos anjos do céu, o enfeite

Que abate, que levanta num toque de aceite.

Predestinada

Santas criaturas que os céus não puderam conter

Monumento divino de perfeição singular,

As mulheres que habitam este planeta

São atuações completas do próprio Deus

Na vida, no suporte, na prevenção dos homens capeta.

Evas celestes, flores eternas, que em instinto

São festejos de prazer e alegrias neste mundo

São esteios afáveis no mundo que pressinto.

Criadas e predestinadas, as fêmeas do Criador

São, naturalmente, tudo que os homens são

Em dosagem muito maior, num destino previsor

Capaz de colocar sobre seus ombros frágeis

O destino e a realização do outro inferior.

Geradora da vida, geradora do existir de todos

Elas seguem a vida gerando mais, e tudo acontece

Levam os homens a serem o que não são

Fazem o existir uma alegre distração.

Essas criaturas belas e demais criativas

Da poesia, do invento, de tudo mais, são inspiração

Vivem, existem, não precisam fazer nada

E por si, com classe, providenciam ao coração

Num êxtase intuitivo de quem sabe tudo

Corporiza e facina com extrema afeição

A presença espontânea da divina perfeição.

De um jeito ou outro, são lindas e eficazes

São inteligentes, astutas, sábias e vorazes

Encantos que nenhum homem se assemelha

Fazem enorme diferença onde não estão

O motivo único para o mundo sobreviver-se

O motivo único para os homens não estarem caos.

Com esse toque divino nesse ser ilimitado,

Até os erros que cometem se tornam acertos

Até os pecados que praticam se fazem perdão,

Têm motivos suficientes no seu galardão

Para os crimes que provocam

Para as falhas que, quase nunca surgem.

São tudo em todos, são o próprio Deus ativo

No dia a dia da família, do trabalho, dos cativos.

Muito Mais

Mais que simples oferenda de carinho

Mais que uma ordem divina de casar,

A mulher é uma solução, um jeito do coração

Uma cantiga de anjos, festejo dos céus

Para a vida de cada homem,

Um empurrão, o “animus” que a graça nos dar.

A criação fez o másculo, para a força trabalhar,

E a misericórdia providenciou a fêmea

Para com glória e sabedoria fazer o pensar.

Filho, força e feira

Pra nada mais o outro presta, como homem,

Mas, o charme, a tenacidade da mulher,

Mesmo não querendo, administra com ardor

Faz do pouco, do esquecido, o qualquer

O acontecido, o belo, o ato confrontador,

São muita mais

Nem elas imaginam quanto

Além do que o homem possa entender

Mais do que possamos compreender o tanto.

A frágil mulher de cada sonho

Nunca é vítima, qualquer que seja a situação

Foi criada com o mimo do bem do Senhor

Foi criada pra minimizar perigos da comoção

E embriagada por este compromisso primeiro

Esbanja sapiência no trato de toda emoção.

Sedução, jeitinhos, carência e afetos maior

Ela mesma, todos ao redor, o mundo todo

Não pode ver que solteira ela venha ficar

Por mais e melhores motivos que tenha.

Ela deve ser empurrada ao casamento

E é a única que pode passar sem isso.

Ela faz o homem

Direciona seus passos, fazendo-o pensar que

Dando a tender que é submissa por prazer

E se faz, auto se realiza em paixão

Carregando todo o preço do convencer.

Homem Machão

Filho de Mulher

Máscara impura que seja gente

Frustrante tentativa de afeiçoar o que sente;

O homem é uma pressa mal contada

Um aborto inconveniente.

O ser “machão” é uma disposição desensaiada

De tornar-se um pouco pior, nos descontentes.

O que mais seria o filho de mulher?

Encorajado pela mãe que lhe deu a luz

O pequeno ser é m aventureiro desmedido

Um jogador relaxado e inveterado

Que pretende cantar os dias do seu lido

Como piada engraçada a um mal humorado.

Inconsciente, por causa de temores mínimos,

O que lhe incomoda no pai dos seus filhos

A mãe desenvolve qual estrela nos seus brilhos

A desconsertante tarefa de argumentar o mal

Que seu homenzinho , latente, saberá expor como varal.

Não herda nada da gestação, nada lhe contribui

Parece uma espécie que nasce de outra

Parece uma messe de grandes extravagâncias.

O sol nunca lhe será suficiente a contento

Estrelas nunca lhe brilhará na mente

Passará pelos dias, pela vida, pelo momento

E nunca conseguirá realização de gente.

Os poucos homens, coitados, pelo destino

Que ainda conseguem esboçar no raro

Fagulhas de bom senso e aspiração do bem

São os eternos “filhos de mamãe”, os caros

Famintos de agradar, da mulher, seu amém.

Não tem nenhum sentido, mesmo para si,

Os homens estão sempre em desvantagens

Qualquer que seja a circunstâncias com elas,

Por isso são valentes, brutos, estúpidos,

São indiferentes, não podem sair perdendo

Se jogam para o nada, no nada, fedendo.

Uma Serventia

Pra quê que serve este bicho chamado homem?

Os séculos, os tempos inteiros têm perguntado.

Cada vez que é ignorante, que é bruto

Quando não age com o coração, age com furto,

Na chama de atos nocivos contra si próprio,

A mesma pergunta é feita sem parar:

Pra quê que serve este bicho chamado homem?

O tapa no rosto de uma mulher, que o bicho dá

Retrata com devassidão, o arbítrio da situação...

Este gesto arrepiante de contornos brutais

Trás consigo, como pólvora pronta a detonar

A esperteza angustiante que a alma do homem tem.

Esse toque violento e contagiado de mordaça

É uma amostra contida do espírito vazio e febril

Que o encouraçado possui por baixo da pele.

Esse beijo de tolo tão comum, nas falas masculinas

Sintoniza o verme numa posição inferior

Formaliza o serme numa condição: inferior.

Uma serventia, uma utilidade, um prestativo:

Um razoável portador de sêmem.

O responsável pela reprodução feminina.

Por causa disto e para isto cabe ao bicho....

A produção intensiva da semente a ser escolhida

A conservação deste líquido valioso e essencial

O transporte perfeito para cada momento ideal

O incentivo criativo para levá-la a este prazer

A fecundação, o ato sublime de fazê-la mulher

O sustento, a luta e a conquista da sua saúde

O amparo em todos aspectos de sua carência

A proteção, o ombro largo para dar segurança

O assumir, dela, da prole, e o que ela preferir.

Uma serventia, podemos concluir,

Conservar o sexo frágil por toda circunstância

Levá-la sã e salva ao futuro bem distante

Com o máximo de mordomia que for

Como amostra perfeita da perfeição divina

Como prova cabal do próprio Deus Criador.

Todo Dependente

A natureza sempre pareceu benevolente

Sempre mostrou-se ocupada para o homem

E este, numa concordata favorável e nata,

Sempre se deu a aceitar e desfrutar disso.

O tolo, como menino embevecido com doce,

Se lança com essa bandeira em feitiço.

Tudo que faz, tudo que cria, tudo que mexe

Conta a mentira de sua auto suficiência

Exibe a asneira de uma superioridade fajuta.

Na verdade, a fragilidade do bicho carece

Essas inverdades o incentivam , os fortalecem

Os impulsionam a serem mais serviçais.

Superioridade é não precisar de lorotas

É ser superior, mesmo tudo dizendo contrário

Mesmo sob domínio de tolos inconstantes.

Superioridade é estar num ambiente de fracos

E de forma sublime se fazer mais fraco

E numa riqueza de alma, algo só do céu

Ainda amparar os que se dizem fortes e astutos.

A sabedoria aconselha, que os mais vivos dos homens

São aqueles que saem do ataque, abandonam a defesa

Dá uma impressão social de ser o cabeça

E se debruça na felicidade de uma dependência.

Para ser homem, o homem precisa

Do ombro carinhoso , do toque feminino do céu;

Precisa da voz angelical que lhe embala

Da beleza que engraça seus olhos de macho.

Para ser homem, o homem precisa

Da atenção e cuidado materno da namorada

Do afeto amoroso e sedutor da mãe querida.

Para ser homem, o homem precisa

Deixar de ser o tolo que exige a liderança

E assumir, como frágil, a chefia permitida

Aquela que a mulher que lhe domina

Lhe permite, com o suave fragor, em sua vida.

Desde Criança

A Concepção

No estalar de olhos, no encontro de células

Mais uma vida chega ao mundo da vida

Mais uma lida começa a se formar potente

Mais uma intriga se apossando de seu espaço.

O momento mágico da concepção de um ser

Relembra toda fantasia contida em toda alma

Inspira a existência a se manter viva e linda.

O início criativo da pessoa, quando nasce mesmo

Quando toma posse do pensar e do seu querer

Dá sentido a tudo, dá guarida até ao inexistente.

Do ato fecundante das criaturas a sexuar

Por amor, por um motivo ou outro qualquer,

A vida se concebe e a natureza se esbanja

E num grito de vitória, toda ela se espalha

Criando espaço pra receber o novo ser infante.

O tempo que se rompe na gestação, a arte,

O corpo que cresce, toma formas, faz-se gente

Conforme a riqueza do destinado pelo Senhor

Entorna a viveza do preservado com amor

Esboçado em detalhes na nova alma a nascer,

Sem muito o que esconder ao mundo exterior

Pressionando espaços, exigindo direitos

Mais uma pessoa se arrisca a existir com dignidade.

Ontem não existia, nem se imaginava quem seria,

Era um possível vento que poderia passar

Uma possível tempestade que não havia como pensar.

Hoje já é gente, acaba de ser frente de esperança

Já se pode fazer previsões para futuros certos,

Já se sente que demonstra vida e vitalidade

Um ser, alguém está para chegar também.

Amanhã, por tempos necessários, será formado

Mente, corpo e espírito, cada um, de um jeito

Se delineará como perfume derramado,

Volverá novos comportamentos, novas extravagâncias

Colidirá entre o natural e o sobrenatural

Dará contas de seus motivos para vir

Fará de tudo para ensinar como existir.

O Nascimento

Recebe-se a luz e a vida nasce do não existir

E numa ventania que o tempo carrega

A cegonha aparece com notícias alegres

Com esperanças deslumbrantes de amor

Trazendo no bico longo o embrulho esperado.

A vida nasce de novo, a humanidade também

O mundo reabre-se em mais uma tentativa

De recomeço, de nova luz, de novo vigor.

Num sopro divino, novos olhos chegam

E com ele, eis que as festas brotam o céu

Tudo é novo, a novidade agrada o mais triste

Um novo ser se torna gente pra todos nós

O mundo inteiro se reveste de novo brilho

As trevas da noite volta a ter o sol da manhã

Novas histórias começam a circular por aí;

É uma vida em nascimento

Não importa como nasce, de quem nasce,

Não importa nada que qualifique o ato natural,

Alguém cruzou os umbrais de quem passe

Alguém acaba de chegar para tantos vivos

Para muitos que o esperam na ansiedade

No limiar do carinho surpreso dos midos

O choro estala nos horizontes da garganta

Choros comoventes se rompem de angustias,

Nasceu alguém, mais um filho da humanidade

Mais um “trocinho” do afago coletivo.

Nesse portal de vida, o nascimento do ser,

Está centrada toda ansiedade de multidões

Concentram-se na espera ambiciosa e viril

Do próximo sábio, o próximo gênio, a luz,

Do próximo líder, o próximo inovador,

Os próximos homens que colorirão a vida

Que darão as cores que o progresso precisa

Para dar à próxima geração

Muito mais do que esta receber da anterior.

O Crescimento

Nasceu, outro milagre está para acontecer.

Numa graduação em inércia sobrenatural

O serzinho vai crescer, vai marchar na vida

E dando significado, camuflando o casual

O homem vai se tornar mais homem

Durante o desenrolar desse astral.

Em passos deslumbrantes, nos dias que passarão

A vida testemunhará o que a vida fará

Em cada presépio em crescimento

Em cada esperança no seu rejuvenecimento.

Sem medidas limitantes, a própria existência...

Em sua pressa de ser morosa no que tem a fazer

Comungará sua lealdade a todos as leis

Será fiel a toda determinação do criador.

O ser nascido já nasce crescendo “in vivo”

É a própria demonstração do que seja perfeito

É o próprio Deus, pessoalmente, individualmente

Tratando, com exclusividade, cada homem seu.

A natureza faz a diferença desde o que vai fazendo

Até mesmo, em cada adaptação que vai trazendo

Parecendo mãos divinas, seus dedos no mover

Fazendo de um corpo, um coração e uma mente,

Que acabara de receber luz e respiração

O crescimento necessário e vital à humanidade.

Não é uma pessoa que nasceu! Um neném que veio!

É o melhoramento que se opera no seu humano,

É Deus concretizando sua criação final,

Um tipo de evolução que ainda se formaliza

Tudo determinado pela vontade e propósito de Deus.

Cada nascimento trás após si, um crescer olístico,

Deus se derramando num show insuperável

Ele se auto-superando em cada situação

Dando vida ao projeto perfeito inicial da criação.

Quem nasce, cresce

Isso significa muito mais do que se entende

Isso é muito maior do que se compreende

É a perfeita vontade do Senhor a se mostrar.

Até a Velhice

A Juventude

No crescimento, como passa no crescimento,

O tempo do decrescer, do arrefecimento

Da discórdia, da revolta, da intransigência

Do martírio de si mesmo e de tudo ao redor.

Nesta evolução do ser, da humanidade da vida

A pessoa que se descobre na adolescência

Se joga contra tudo e todos na fugaz juventude,

Se enclausura nos seus próprios temores

Se corrompe nas suas próprias discussões.

É o tempo de impor vontades pessoais

De fazer tudo do melhor jeito, como se quer

De armar guerras justas, inimigos gratuitos

De camuflar mentiras que pareçam benéficas.

Neste desenrolar fortuito de asperezas

Nestes andar doloroso da ingrata carruagem

Os homens maturam todos contemporâneos

Formoseiam todos que lhes pareçam contrários

E cosmoficam o sábio caminhar dos mais velhos.

O vigor fértil da juventude intolerante

É um atoleiro tedioso que provoca a sabedoria,

É a opção insustentável e terrorista

Que se faz vulnerável e antagônica a eles mesmos,

Para tanto, basta, com mínimo de paciência,

Dár-se tempo ao tempo para se ver com jeito

O feitiço engolir o próprio feiticeiro,

O mal por si só se auto-destruir

Cobra engolindo cobra, e

Abismo atraindo abismo.

Basta, com um mínimo de consciência

Dar corda, alimentar o ego, incentivar o tolo,

Da corda, ele providenciará uma forca

Do ego, ele destilará o seu melhor veneno

E da tolice o conselho mais apropriado.

Juventude é isto, sem tirar nem por,

Um licor amargo que fabrica seu vício finado

Um andor barato para procissão de si, como senhor.

A Adultice

Estampa na existência a volta à vida

A fase ingrata e faminta daquela juventude

Já está no passado, passou da forma que chegou.

O que sobrou daquelas infames piruetas vividas

O que restou daquelas conturbadas defesas assumidas

As conseqüências dolorosas...

Das tantas tolices provocadas por nada

Serão aproveitadas, ao máximo, no novo proceder.

Agora, tudo é diferente,

No correr natural da adultice chegada

Até os erros cometidos são bálsamos de sabedoria

Até as teimosias irreparáveis são exemplos...

Atitudes convenientes de um sábio cheio de razão.

Agora, tudo é diferente

Os passos dormentes da tolice juvenil, que se foram

Mesmo que se queiram, como repetidos

Não se conseguem ser assumidos, retocados

Por mais que a teimosia consciente queira.

Agora tudo é muito diferente.

A humanidade se reencontra nesse tempo áureo

Os trilhos são retomados em pleno vigor

As linhas do bom senso e da sábia visão

Tornam-se páreos alegres e de temor nulo

Agora não importa o preço a se pagar

Não importa o preço pelo que se deixa de ganhar,

O mais importante torna-se como é.

Meninices são esquecidas dos seus ardores

As fugas ordinárias não despertam sabores.

O jovem deixou de ser, para crescer

O mundo evoluiu, está além dos limites.

O adulto é o melhor brinde da criação

É o êxtase do criador, com sua própria mão

O ser criado se aproxima com toda avidez

Da “imagem e semelhança” para o qual existe

A explosão fascinante de um Deus perfeito.

Depois

O depois da adultice, que tanto encanta,

É a prória adultice, ao se colher seus frutos.

Não se é mais sábio que antes, neste instante

Mas é o momento delicioso de desfrutar

Do que se tem vivido, até por novo instinto,

Do pão doce que, as próprias mãos, modelou.

Vá, é tempo de continuar fazer melhor,

Mas principalmente viver o melhor que tem feito.

Na corrida do tempo, a esta altura, com prazer,

O adulto já é avô ou bisavô da sua prole...

Pai de alguém que já entra na adultice que vê

Avô de alguém que se declina na juventude “et

Bisavô de alguém que nasceu e está a crescer.

A sabedoria nata, no seio restauroso deste ancião

É o de ser um para cada destes seus

É o de fazer dum jeito, abordado por Deus

O caminho que coincida com a exigência deles

Na paz, sem controvérsia, no respeito farol

Onde cada qual conviva bem nos limiares de cada qual.

Neste lugar, na cronologia que a existência tem,

O sorriso é muito mais caro que a vontade,

A companhia é superior à intolerância do bem

A paz, por mais difícil que seja, está acima de tudo

E por causa de tudo isto, não resta outro pensar:

“tudo é vaidade”, tudo é efêmero

nada é motivo de guerra, defesas, transtornos.

Depois de tanta briga, e tantas perdas grandes,

Depois de tantas tolices e loucuras irreparáveis

A idade nos mostra que: no passado, por nada

Vivermos o tempo inteiro dando murro em ponta de faca.

Ó vida, neste existir, de profunda injustiça

Ó caminhada desajeitada dos nossos passos maus!

Quando temos toda condição de viver o melhor,

Quando não sabemos trilhar o passado de paus,

A energia da juventude já está desgastada

As oportunidades do tudo fazer, já está caos,

O que resta é assistir calado outros chegarem

Cada um rejeitando conselhos, penando, fazendo-se o tal.

O Jeito de Fazer Oportunidade

Quem Quer

“Querer é Poder”, já diz os passados conselhos,

“O Mundo Começa no meu Coração”, a verdade

“Posso Todas as Coisas”, as afirmativas são muitas

A auto-confiança se encanta rio a fora.

O mundo está aí, fácil pra ser conquistado

Mas, “duro e impossível pra quem é mole”.

Numa caminha diuturna e vital

A humanidade acorda todos os dias

E numa ousadia auto-determinada, sem igual

Embranha-se a matar seus muitos leões,

Uns numa carência maior que outros mais

Voltando cada noite para dormir vitorioso ou covarde

Descansa para recomeçar o novo dia a nascer.

Cada madrugada trás uma ansiedade diferente

Os dias se repetem com seus proclamas ruins

Mas, maior que todos empecilhos danosos

O coração de cad ser, a determinação no parecer

Determina quem, dos muitos acordados,

Voltará para o casebre ou para o palácio

Voltará para a família feliz ou o inferno.

Nessa caminhada diuturna e vital

Todo mundo recebe quantidades de sementes

Suficientes para aposentadorias seguras:

Uns não sabem o que fazer, jogam fora,

Outros nem sabem que recebem, perdem fora

Mas entre os pobres e os ricos de todo dia,

Há os que vêem “grandes possibilidades”

E saberão jogar bem aquilo que tem em mãos.

Nesta caminha diuturna e vital

O homem faz e traça seu todo destino

Carrega nas costas os tijolos do futuro

Pareia seu amanhã com formosura e desatino

O homem, cada um, é um fabricante de sonho

Do seu próprio sonho, aquele que quer sonhar.

O Otimismo

Bons olhos de ver o mundo

Entusiasmo de rir a toa

Vigia seleta de observar a vida

Um caso entusiasmo que nos soa.

Não há males, não ruins

Aquele que não consegue lamentar agruras

As circunstâncias se mostram duras

Elas podem até ferir,

Mas não cede, não chora

Não vê porque entristecer.

A vida é assim

O tolo abraça o urubu

Assume olhos de carniceiro

E se debruça em lixeiros.

O sábio que quer ser sábio

Busca o beija-a-flor pra se abraçar

Assume olhos coloridos, floridos

E se debruça no seu alegrar.

Existe aquele que não é tolo

Não gosta de ser seu inimigo

Confia, descansa na fé que tem

Aproveita que Deus sabe como agir

Deleita-se na sua provisão.

Como ser diferente?

Como poderia alguém ser diferente?

Como consegue não ser assim?

Se tudo é assim?

Se não consegue ser diferente?

É tudo uma questão

De ser realmente diferente.

O Pessimismo

É azar que nada, ou qualquer coisa assim!

Perseguição, marcação ou coisa afim!

Nada justifica os olhos negros dum tolo

De alguém malévolo, auto-destrutível

Que sobreviva de piorar o ardil de bôbo.

Nada justiica a cegueira talentosa que vê

A besteira morosa que se mira ao espelho

A tolice conformada de quem tem prazer

Em duvidar funesto do otimismo.

Numa indecorosa procissão de desassossegos

O pessimista marcha rumo ao atraso

Em vozes escandalosas, arremete morcegos

Uma tristeza de desalentos no marasmo.

O homem das trevas é um prisioneiro de si

Um coitado que mora nas suas sombras

Um cantante desafinado que na sua cachaça

Se prepara uma cama de durezas e trombas

Uma desgraça ambulante que se abraça.

Freios incontidos em todo desejo e sonho

Pedal freqüentado contra o mundo a avançar

A doença das trevas tem sempre uma palavra

Ele terá, incondicionalmente, um grito a dar

Contra tudo que seja novo, avante e bom!

Já não é gente, incômodo aos que lhe rodeiam

Já perderam muito, tempos a fora

E ele sabe que isso sempre lhe aconteceu

Mas não consegue ser diferente

Não consegue ser seu melhor amigo.

Em ventos frios ou quentes que venham

Mesmo quando nada possa impedir

Ainda assim o anseio retrógrado falará

Dará motivos, sem nenhuma solução, pleitará

Não deixando, pelo menos, que se pense a favor.

A sina de gente assim, pra eles e os outros,

É de fracasso, um doce azedo no mundo

Uma fruta entulhada e avessa no sexto

A própria dor da perda, no fundo, no fundo.

Todo Mundo é Bom

Meu Direito

Na Ciência Jurídica que aos homens se destina,

Na visão seleta de julgar o proceder social

A terminologia de cada ato e cada acontecer

Pode nos trazer riquezas que determinam

Que dão sentido e diretrizes ao sobreviver.

Rebuscando todos os conceitos curriculares,

Na jurisprudência, na legislação e na doutrina,

Nos objetivos e no entender holística do ser

Uma afirmativa se deflagra em sua clareza:

O homem nasce para vier bem com os seus,

Um poço de bondade a transbordar.

Acreditar no outro, é a boa política

Confiar e esperar o melhor de cada interior

Dedicar oportunidade a isto, que se manifeste.

O que leva o coração a parecer obstinado

Transfigurado a atitudes hostis e inúteis

São as severas e continuadas circunstâncias

As turbulências exteriores da vizinhança.

Na sua limitude infinda e perspicaz

A criatura, a humanidade, se fantasia

Reclama a beleza intrínseca, profunda,

E uma espontaneidade cotidiana e danosa

De se influencia com tenacidade febril

Pelo meio neutro, extravagante, absurdo.

Está certo, é bom, é capaz, é muito mais

Até que se prove o contrario, mesmo!

Na justiça de todos os dias, em todos nós,

A visão otimista e benéfica do direito

Para com a criatura do Senhor Criador,

Visão de um homem para outro, noutro,

Faz o ser acreditar n’outro ser

Esperar que do outro não “ruim”

Mostrando que é possível o bem convier

Ninguém é diferente de ninguém.

Frutos do Meio

Não é “produto do meio”, isso não é coerente;

O homem, na sua metáfora existência útil

É produto da mesma sociedade que planta

É fruto do meio que ardiloso, ele se cria

É vítima do próprio veneno que destila.

Atitudes, sentimentos e o que mais lhe vem

Formatam-se na ardura comovente

Que o extrato do meio lhe agulha feliz.

Máquina manipulada pelo passado vivido

Mecanismo esquartejado pelo presente aqui

O ser criado é uma obra de arte do tempo.

Dirigido na direção que todos lhe apontam,

Arquejado em prontidão duma maioria

O ser criado é uma obra de arte do meio.

Camaleão que ganha o dia com sua cor

Conveniência, proteção em se acomodar

Vale a pena ser vítima, não insurgir na voz

Ser parte do movimento transformador.

Artesanato apropriado, adaptado, um tijolo

O homem se satisfaz repetindo sua sina

“Maria vai com as outras”, imbecil, um tolo

a mesmice vergonhosa e atrevida.

A quem cobrar os pecados de cada um?

A quem cobrar estes trapos deformadores?

Do próprio ser? do Criador? do meio?

Da humanidade? Qual delas e o que cobrar?

Aquela de onde tudo começou?

Aquela que recebeu a culpa e transmitiu?

Aquela que recebe e planta culpa no futuro?

Ou até aquela que vai receber...

e que saberá produzir mais culpa ao depois?

O homem é produto de si mesmo

Fruto incontido das virtudes que defende

Vítima dos desafios que suas mãos criaram.

Vendo as Circunstâncias

Cantos e recantos que povoam nossos dias,

Arbitrariedades que o cotidiano nos reserva

Circunstâncias favoritas e atormentadoras

Coisinhas que nos ocorrem em freqüência

É o nosso dia a dia de cada dia, só nosso.

Na fecundidade de nossas existências viris

São as circunstâncias, os nossos alentos capazes,

Nossos talentos, habilidades de feições mirins

Que num momento nos enche de glórias

Noutro, num virar de formosura e confete

Nos aborda em limiar de nossas histórias.

A todo momento a vida nos ocupa mansa

E num suspiro em brisa, nos envolve bem

E em jeito proposital, de quem nunca cansa

Nos toma aos braços, nos carrega, se envolve também.

Euforia que nos canta versos de conforto

As contingências são companheiras do coração

Retratam as opções e companhias que escolhemos

As alegrias e desacertos de nossa paixão

São festas que o cotidiano sabe reservar

Pura crendice de quem precisa acreditar

Os relatos que o tempo promove a cada instante

Que os olhos contemplam em cada cantante

Demonstram vivos, o privilégio de quem existe

A névoa fresca de quem pretende e assiste.

Tudo pode acontecer com quem respira e sonha

Com quem acorda e se levanta da cama pra viver

Com quem quer e sai ao mundo a poder

Circunstâncias não faltam aos mortais do agir.

Ensopados em suas agruras, por pior que sejam,

Atolados em todo, nas lamas a enfrentar

Cabe ao homem erguer os olhos ao horizonte

Buscar confiança em si, no tempo, e no amanha,

Sair vitorioso em busca da melhor fonte

E ganhar a vida com sorriso nos lábios da fé.

Olhando todas estas circunstâncias perenais

Notando o porque e os objetivos a permitir

Vê-se o homem superando-se aos ancestrais.

Todo Mundo é Ruim

Minha Teologia

Carisma de ver Deus, de entender Deus

Visão extrema de dirigir este anseio da alma

A teologia se afaga a tornear o inexplicável

Se desenha na esperança de mostrar o invisível.

O teólogo é um “busca fantasma” eufórico

Consegue ver o que ninguém vê ou pré-sente,

Entende o que é impossível a qualquer outro.

Andar pela teologia é andar sobre o nada

É escorregar pelo fio intocável do sobrenatural.

Sobre o homem, no seu trato e vasões com Deus,

A Teologia denota o que os olhos do Criador vê...

Todo homem é ruim, mal, perverso, rebelde,

Impossível de ser encontrado de olhos aos céus

Impossível de ser interessado no agrado a Deus.

A melhor maneira de explicar e sublimar Deus

É rastejar e humilhar o ser criado

Depois de tudo que passou depois da criação.

São extremos no labirinto real,

Não há como dignificar um, na sua essência,

Sem menosprezar a conivência do outro;

Não há como colorir as riquezas de um

Sem roubar cor e formosura do outro.

Fazer teologia é tudo isto, é a corda bamba,

É ser cruel na fascinação extrema de um

É se aventurar a buscar as virtudes de um

Cataclismando a rudeza funesta do outro.

O teólogo já conhece o Deus profundo,

No máximo que a mente chega a alcançar;

Sabe tudo que é permitido se fundar.

O papel extenso que o aguarda, por incrível,

Não é ir além do que lhe possível ver,

Mas o de aclarar, esvaziar no que puder

o que todos, nas suas experiências, já entendem

mas que seus raciocínios não compreendem;

o teólogo é um babá de consciências

e a melhor metodologia que a teologia visa

é produzir a visão correta de cada um

no mais distante que se veja de Deus.

Ajuda a Religião

Ruindade de gente impressiona a gente

A alma da humanidade está impregnada

O coração não sabe nem consegue, se quiser

Maquinar o que não lhe é ruim,

O que não lhe seja de arder o bem querer.

As religiões, pretendendo prover este mal,

Avançam em sugestões que flagram a dizer

A respostas pra superar o que mais condena.

Uma, na alma do ser, que sai em busca da outra

Que imprime e se subjuga no tato da outra;

A religião coletiva é a outra que ofende e fere

Mas que se importa para a humanidade se conviver.

Há uma toda atmosfera de gentileza que serve

Uma abóbada de estranha camuflagem cega

Que entrega o ser criado a essa carência hostil,

Repleta de sofismas irreparáveis que enxerga

Todos os defeitos e suas conseqüências crônicas.

Esta amargura se alastra, se confunde ao léu

Faz festejos terríveis, compromissos existenciais

Para que o homem, todos eles, só se encontre

Só venha desfrutar de si mesmo, no descanso

Dos dogmas sem contas que a religião apronte.

A maldade que habita a alma de toda criação

Que faz do criado o avesso daquela formação

Translude e o empurra a qualquer religião

Despertando, por esse único jeito, a beleza gentil

A ferramenta que inspira a vivência em canção.

A febre religiosa se multiplica aos milhões

E todo dia se aglomera nos cantos de esquinas

Engodando astutos e involuntários torrões

Encrustrando a sede alheia do desejo de punição

Como meio divino e justo de propiciação

Neste carrossel veloz de pura intervenção.

O coração do homem é eterno e perverso

O carrega ao desespero da desobediência de si

O machuca na tristeza de jogar-se contra

É o sustento de toda religiosidade afim.

Ajuda a submissão

A ruindade ainda “dá pão para muita manga”

Até que faz o próprio homem se encontrar

Numa extorsão de caráter, numa semelhança de si mesmo

Esta personalidade esquisita e mal fazeja

Rebelde e incompreensiva por fatal extinto

Tem se mostrado em mudança de bandeja

Quando o espelho do existir, em acordes nato

Lhe arranca a certeza do “ser difiícil

Que sua alma comporta em seu mato.

Quer dominar esta fera desastrosa?

Quer mover-lhe a astúcia de empório vão?

Traspassa a lembrança ingrata de sua prosa

Chama o fulano à verdade do coração;

Recordar a infâmia atrevida do seu caráter

E qualquer homem cairá a qualquer mercê.

O que faz o ser estender-se contra a obediência

Ser uma forma latente de insuficiência,

É o mesmo antídoto traiçoeiro da falência

Que nas doses adequadas, de eficiência rara

Faz o mesmo homem dobrar-se humilde

Rastejante e demais entregue à cara

Instrumento fiel de manejo e tolices

Um tonto decidido a comungar sua clara.

O feitiço contra o próprio raquítico feiticeiro,

O veneno debelado contra a própria língua,

A anti-bondade que incomoda toda a alma

Que invalida a “imagem e semelhança”

É o próprio vento, a tempestade contra si.

Num carrossel de clangores afinados e nítidos

Na corrida de seus pares em busca de encontrar-se

A ruindade formatada na brancura da invasão

É o remédio azedo, amagro, danado de ruim

O único jeito de chamar a fera ao meditar

De fazer o autor, em largas, se encontrar

E entender alguma pressa em se buscar

Chegando à submissão de sua própria vida.

Tudo é Muito Fácil Viver

Deus é Fácil

Família é Fácil

Mundo é Fácil

Morte, Melhor Amiga Certa

A Morte I

A Morte II

A Morte III

Religare

Primeira Tentativa

Nos primeiros momentos do existir

Quando muito pouco sobrevivia

No pensamento fluindo em lentidão

O criado já buscava criador

O ser já peitava a anistia.

No rompante deste emaranhado

Na carência de um vazio apóstata

A vida se arrisca numa procura feroz

Se dando acanhado e desejoso

Como se disso depende o amanhã.

É dessa maneira instintiva e real

Que a primeira tentativa religare

Ressoou na experiência humana.

No passado do passado que se esmigalhe.

Tudo aconteceu antes do primeiro passo

Antes mesmo da primeira vontade

O homem nem sabia que já existia de verdade

E lá estava a refletir e a buscar um senhor.

Este registro e inclinação é latente

Toda vida sabe, tem e sofre este clamour

O carinho entoante faz contente

O entusiasmo desse destino em flor.

A primeira tentativa já nasceu

Ele é a névoa que sombra a vida

É a esperança que ousa a lida

Só há outro dia porque não pereceu.

No coração, na alma, nas mulculosas

Uma visão inspirativa, imaculada

Sempre dará cores fortes apaixonantes;

É a primeira tentativa se provocando

Gritando por todos palmos que possa

Dizendo, provando à teimosia humana

Que a religião ainda é o melhor pão.

Qualquer Tentativa

Abrem-se asas de toda alma

Um desejo profundo de buscar o céu

Intenso anseio de crer num maior

Não importa quem, nem como

É apenas a carência seleta

De buscar, depender, e bem obedecer.

Religião é uma tentativa.

Religiões, é qualquer tentativa

O íntimo de todo homem se derrama no tentar

É toda criação se mostrando intuitiva

A questão é mais no espírito

É a negação do vazio ateu que afana

Declarando na auto voz da existência

Que não importa, quem, nem como

Há urgência em dizer aos outros e a si

Que se tem um Deus, que há demência

E por trás de toda dúvida, com freqüência

Tranqüiliza-se pra decidir.

Qualquer porta é caminho

Toda estrada se leva à Roma

A direção pouco diz respeito,

O que a alma requer, ela doma

O que a ansiedade se elementa

É que qualquer oração chega, fermenta

E todos podem sair satisfeitos.

Que diferença pode fazer, ao fim,

Crer com a maioria, muitos, poucos?

Cantar aleluias com todos, ou a sós?

Que diferença poderia saculejar

Se o que creio é o que estou, assim,

Gostando de compartilhar com loucos?

Pretendendo deflorar nos pós.

Não se consegue ver diferenças

Só doenças, ligeiros, austeros, prevenças.

Tentativa Universal

É como cantiga de um coração alegre

É como sorriso de uma carga nada fútil

A música religiosa da alma humana

Não é flor que se negue nunca

É, simplesmente, a coisa que se afana

Que rosea, de forma frásea, se afunca.

Todo mundo, em todo canto, sem exceção

Tem fragor latente, dentro do coração

Essa busca do divino, da melhor devoção

São homens, toda humanidade

Que no velho mundo ou no mundo novo

Em cada descoberta de povos escondidos

Religiosidade foi algo compulsivo.

Todo mundo, em todo canto, sem exceção

Vive sede e fome de alguma fé

Essa tentativa de chegar a um céu é mundo

Talvez até fora deste mundo em pé,

Talvez o universo inteiro em fundo.

As marcas humanas são religião,

As vozes humanas são religião.

Onde não há essa busca, essa tentativa

Em quem não se encontra essa mantida

Não há vida, não há existência, nada

Pois a busca do celeste é prova do pensar

O não perceber interesse pelo religar

Tem-se a imagem da morte da fada

É o esquecer de ser gente.

Há uma tentativa universal para Deus

É isso que faz o mundo acordar no dia;

Sem a vontade do canto de alma

Sem o jeito de assobiar na alva

Sem a maneira de flutuar a malva

O homem, existência é só metade

É nada, é miragem, é “frenage”.

Todas as Religiões

O Ateu

Na religião da humanidade, até na esquina

Entre os botos que inundam toda a maré

O ateu é desencanto, ele desafina.

Suas palavras e seus cantos-afrontas

As broncas e discórdias que parecem

Tem, ao mesmo tempo, bem prontas

Consoles para o homem crer melhor

Controles para o tolo crer menor.

Mas eles vêem, chegam, mostram-se

A influência que desatinam, é pouca

A graça que imperializam, é toca

A atenção que cobram, se frustra

E o ateu vai embora, desaparece

Deixando o mundo no seu rumo em prece.

Compensa? Será que vale a pena?

O que fere a todos, o que fere a si

Há bom motivo para se viver assim?

Precisa o Deus coletivo chorar acoitado?

O Deus divino, é digno de tal desbarato?

Não importa, eles sempre existirão

Sempre provocarão a fé de todos, no coração,

São maus necessários cotidianos

De tempos em tempos, em todo lugar,

Carecem ser motivo “pro” povo falar.

São amigos que pagam com a própria vida

Queridos condenados que nos ajudam a crer

Parentes achegados que lembram na lida

Que o Deus que temos e cremos

O Deus que carecemos para existir,

É mais real e poderoso do que imaginamos

É mais Deus do que poderíamos fabricar

É Deus, mesmo que não nos curvemos

É Deus, que, mais que nós, sabe amar e perdoar.

Boas Intenções

De um jeito muito próprio e humano

Em clarividência sumulada e contagiante

A alma do homem se expande aos céus

Convivendo carente com crenças de si

Querendo entender a febre dos “meus”.

Não entende nada, nada compreende,

Confuso e com boas intenções

Ressoa veementes gritos de religião

Que de alguma forma confortante

Moqueiam algumas carências do coração.

Entra tempos, saem tempos

Sem dar ouvidos às circunstâncias

e fazendo com que eles façam ventos

As religiosidades bem intencionadas....

Alcançam multidões desenfreadas,

Mudam atitudes consideradas efêmeras

Enganam aqueles que parecem, nasceram pra isto

E avançam a outras conquistas emendadas.

Não há como discutir, como fugir deste ato.

Boas intenções será sempre a melhor religião

E sempre cumprirá seu papel malévolo

O papel de distorcer a verdade na razão

O papel de confundir o entender pelo entender.

Misericórdia, Senhor: salva-nos deste inimigo

Deste incômodo e ardente adversário da fé,

Que sabe, como ninguém, desbotar o antigo

E com favores de infernos, o novo também.

Alança, Senhor, com tua paciência,

Nossas almas infames, que com forte desdém

Sempre preferirá em enganar-se, com ciência,

Nas invirtudes da boa intenção

Nas proezas da poderosa ingratidão

Que nos arrasta contra ti, e tua salvação.

Todas Elas

Todo mundo é religião, toda manifestação

Da mais antiga versão, a mais recente hoje

Da mais real, a mais fantasiosa e convexa

Tudo é religião, até a que se contraria a isso.

O religioso, somos todos, todo ser

Do racional ao mais absurdo de entreter.

Do oriente ao ocidente, nos largos da terra

Elas, todas, se espalham com suas garras

E denota todos os fetos do progresso,

Empurrando, dando incentivo e fanfarras,

Refreando, compassando os passos no lento.

De Gualtama, Confúcio e outros mais

De Maomé, Zoroastro e tanto faz

Religião é flor de todo jardim de vida

Não importa o que ensina, o que vibra

É a forma que cantarola toda a paz.

Onde houver respirar, há religar

Tudo com verdades inegáveis e accessíveis,

Tudo com seduções próprias a chamar

Fazendo suas fileiras serem imperecíveis.

Só as tolas, apagadas, e destituídas

Não sobrevivem ao correr do tempo do ar.

Todas elas cantam suas histórias e atos

Todas elas encantam de maneira a hinar

Multidões darão suas vidas a defender

O que ensinam, o que vivem, o a conquistar.

Todas são boas, até “ótimas” podemos crer

Elas são, dizem alguns, a entusiasmar,

Dádivas de Deus, até do Deus-criação

Aquele que tem frutificado do desejo

Da carência afetiva espiritual da paixão.

Todas são sinônimas, parecidas demais,

Ajudam os homens a se encontrarem

Facilitam os tais, a se trocarem

De fortes e semi-deuses de convivência

A fracos semi-homens sem coerência.

Cristianismo

Ação Histórica

Deu-se o nome de cristianismo

O motivo real, não se consegue chegar a concluir

Talvez um manifesto dimensionado em fé

Talvez um jeito cultural de ser religioso

Talvez um resultado de briga perante outra fé

Esse nome, pra grande maioria, não tem porque.

Mas o referido está aí, cristianismo

A religião pequena ela chegou a dominar

Aflorou, saiu do nada, vitória esboçou

Chegou a dominar o mundo.

Fabricando uma história própria e docente

A religião do Cristo guerreiro, robusteceu

A fé que perseguida ou perseguindo, mente

É ela que dá ditames e não pereceu

Está viva e sempre parecida.

História tem sinônimo de cristianismo

Uma não é a outra, não existe sem a outra

Na vaidade do querer impor

Na necessidade do fazer transpor

Cristãos de todos os naipes e cor

Se desdobraram por fazer com ardor

Uma fé rica de lendas e desavenças

Cheia de avanços e empurrões

Que não precisa ser muito atento e crítico

Para perceber, chorar e se enlutar

De tristeza e vergonha.

O cristianismo fez tudo isto?

A fé cristã leva esta culpa?

Não, nenhuma religião faria assim.

Os homens, os que se dizem cristãos

Usaram o tempo, a religião e a história

Abusaram dessas ferramentas de poder

Forjaram a verdade e a realidade

E para não serem atingidos no perder

Rotularam-se cristãos de mortandade,

Manipuladores do morrer.

Entre Muitas

E se tantas façanhas de fé, povoantes do tempo

Reclinam-se a comparar às suas marias?

E se depois de tudo comparado, a conclusão de fé

É de que não se diferenciam em seus karmas?

E se esta deformante conclusão, em sua proeza

Não fazer nenhuma diferença em alarmas?

Isso incomodaria, isto sim, faria diferença

Isto mudaria o mundo pra pior ou melhor.

Dentro dessa nenhuma diferença na crença

A fé cristã se desponta num exclusivismo

Algo latente, algo muito vivo em sua ofensa...

Todas se reconhecem como uma, melhorada,

Ela se auto-destaca como única que pensa

A que responde, a que aponta, a suficiente até.

Todas se amoldam a um todo comum

Ela se conforma em separado, equdistante

A que não se mistura, a que serve “contum”.

No ensino que deliberam aos fiéis adeptos

A fé cristã se desponta num exclusivismo,

Como contente, fato bem ativo pra seu futuro...

Todas se exprimem em ritos salvadores

Ela se simplifica a confissões de coração puro

Apelando por “arrependimento” de cada um.

Todas apontam práticas e atitudes para o porvir

Ela visa que nada mais precisa-se fazer ou ouvir.

Apesar de tudo

Todas se esforçam por ganhar todo o mundo,

Ela manda assim, mas descarta este fim

Se mescla com o fato de pouquíssimos

Chegando, eternos, ao céu de afins.

O cristianismo, entre muitas religiões

Não pelos homens, pela história, ou fantasias

É a mãe delas todas, ou o parente distante,

Está, freqüenta, e até coopera com muitas

Mas é única, nos resultados, nas façanhas

E até mesmo no que dá margem a que se faça.

O cristianismo, entre muitas religiões

Tornam-se o espírito inventivo de toda massa

Das gentes, dos pseudos-cristãos, sem opiniões

Que se espalham pela história de todos nós.

Única em Si Mesma

Sem tantos mistérios e segredos

Sem rituais sobrenaturais ou mesmo místicos,

A religião cristã é uma aventura sem medos

Onde muitos inventam para fazê-la misteriosa.

A história revela que o homem precisa

De uma fé que lhe deixe assustado e temeroso

Que lhe faça carente ou presunçoso

O que o cristianismo não atende.

Muitos com seu ardor, em se atender

Criam formas de hipnose, o que não entende

Armam ritos de magia, que muito contagia

Fazendo brotar, com freqüência em mania

Todos, até impossíveis, argumentos de heresia.

Fé única em si mesma

Que, apesar dos transtornos que sofre

Segue em frente em meio a toda folhagem,

Sabendo que de toda esta fantasia,

Somente “pouquíssimos” são coragem,

O resto é “mau necessário”, como Judas,

Que foi, não fruto de destino, mas com avidez,

Permissão, muito bem aproveitada, de Deus.

Não há igual, não há como haver outra assim,

Outra, desse jeito, teria sucumbido ao nascer

Outra, desse jeito, teria “virado” filosofia.

O cristianismo, em sua aparência e verdade

É a fé, que não tem pretensões nem se abate,

A religião, que, talvez, pelo plano ideal do Senhor

Nunca teria deixado de ser pequena, nada

Seria somente um grupo especial em flor

Na adoração, auto edificação, e proclamação

poucos, ninguém mais, passadores da porta estreita.

A fé no Cristo, que um dia se iniciou

Tomou formatos símplices, modestos, sem graça

Alcançou gente pequena, mas se tornou massa

E com estas dimensões, se conformou

Revolucionando, mais pelo que não era

Do que pelo pouco que sempre foi.

Igreja Católica

Justificando Erros

É fácil demais acusar a igreja-mãe

Ela, no correr de sua história polêmica

Deu motivos que até hoje geram motivos

Para toda bronca, para ação até dos passivos,

Para o reclame de todo contrário até nocivo.

Se qualquer um fosse ela, como seriam?

Se tivesse que pisar os mesmos passos,

e tivessem que viver os mesmos crassos,

e tivessem que pregar o mesmo novo

e tivessem que sofrer o mesmo povo

como seriam, como fariam?

É provável que repetissem os mesmos

Todos ou piores erros que ela cometeu.

Se qualquer um não tivesse ela, como seriam?

Se não tivessem o exemplo e males dela

E não tivessem a perseguição e dureza nela

E não tivessem o mundo feito na sela

E não tivessem a política imposta na grelha

Como seriam, como fariam?

É provável que repetissem os mesmos

Todos ou piores erros que ela cometeu

Lutero, Zwínglio, Calvino e alguns outros

Dão prova de que não seriam diferentes no agir,

Já que os anabatistas também dão testemunho

Que ela, são eles, na hora de se fazer fugir.

Outros nomes, mais ou menos que estes

Dão prova de que não seriam diferentes no agir

Já que os pagãos também dão testemunho

Que ela, são eles, na hora de fazer sentir.

Os grotescos erros que cometeu

Sato todos, inegavelmente, injustificados,

Pois um pouco de espírito cristão, em fé,

Não permitiria muito menos da metade do pecado

Acumulado por ela e por muitos que a condenam,

Em fazer criar, por todos os meios cabíveis

Esta arte malévola de distanciar todos do amado.

Igreja da Maioria

Na fé da igreja mãe, na crendice de sua ação

A razão principal de seus apogeus

A mola-mestra, presente, em toda confusão,

É o ardor pela maioria, o fragor de ser poder

Que mobiliza, sem ternura, a força do seu ser.

Ser senhora de todos, este desejo....

É fruto de uma estratégia evangelizadora?

Nasceu de uma imposição espontânea?

Resultou de uma proposta política?

Produto de uma forma de sobrevivência?

Ou simplesmente, por conveniência

Acreditar numa atitude malfadada da prepotência?

Só a resposta da história pra nos atender.

Pra que tanta gente? Se

Quanto menos somos, melhor passamos?

Porque querer atender tantas mentes?

O que se pretende? Quando se sabe...

Que é impossível fazer tantos cristãos?

O céu da Bíblia é muito pequeno

Os salvos de Jesus são pouquíssimos

Igreja da maioria é fantasia.

Mas, ela existe, e para se manter assim

Muitos erros têm se perpetuado.

Muitos pecados têm sido cometidos

E o que é pior.... muitos choros amargos

Têm sido revistos e assumidos

Só como pretexto para novos desafagos.

Onde fica a teologia? E a filosofia?

Onde fica a ética? E a estética da fé?

A inspiração da maioria faz determinar

Que todos estão a serviço do que quer,

Tudo de um jeito a conservar

Não importa que meios a viver

Que o povo, a grande maioria de sempre

Estejam nos bancos da igreja que os quer ter.

Erros e Boas Intenções

Séculos e séculos, muito tempo

Uma eternidade de tempos existidos

Marcha que não podemos nem imaginar

Períodos enormes de histórias pra contar.

A igreja mãe tem coisa pra dizer

Muitos registros a confessar.

Sabemos de muitos erros, graves ou não

Muitas deficiências, mesmo inconscientes,

Sabemos de posições, decisões e amarguras

Que voluntariamente fez freqüente

E que faria de novo, se o sol se mostrar poente.

Sabemos disso tudo, não se há dúvidas

São fatos e atitudes muito bem previsíveis

Que denotam o caráter guerreiro da fé

Movedor de moinhos e de roda-pés.

Sabemos de tudo, mas sem dificuldades maiores

Podemos perceber traços de boa intenção

Traços leves ou fortes de que o entusiasmo

Dominante nos corações dos da dominação

Conduzira todos ou muitos dos passos

Pelos caminhos que o futuro, no pesar

Faz insistência mestrada em julgar,

Não se importando nos motivos primários.

Essa tal boa intenção, honesta ou desonesta

Gerou como pai bêbado, os fatos que sabemos;

E com honestidade, buscou proteger a doutrina

E com desonestidade, buscou proteger quem ensina

Pelo honesto, perseguiu, destruiu e suplantou

Até deu alguns passos pelos caminhos cristãos, mas

Pelo desonesto, perseguiu, destruiu e suplantou

Até deus alguns passos pelos caminho cristãos...

Séculos e tempos passaram, de algum jeito

Os erros e boa intenção se multiplicaram

E hoje, sem muito para se aperceber

Vê-se, em história, passos que fecharam.

O Evangelicalismo

A Reforma e Seus Filhos

Na lentidão da caminhada humana

Quando não se podia conviver mais

Com a penagem dum cristianismo mordaz

Nasce e floresce o que se chama bem,

Renascimento, o libertador da fé audaz.

Nesta liturgia chamada ao existir

Nasceram, com o mesmo calor danoso,

Filhos que, de todas as formas , no remir

Libertaram passos, desafogaram os homens

Rumo a si mesmos, a Deus, aos erros e ao mentir.

Romperam, a religião, as ciências e o sentir,

A política, as descobertas, a invenção e o agir;

Todos cresceram, aprenderam e levaram

Todos caminharam, fazendo nascer novos filhos....

É quando nasce a Reforma na fé, na igreja-mãe

Nasce Lutero e todos que por ele passaram em trilhos

Explodindo liberdade no crer em cantos distantes.

O que se chama de “Reforma”, caldo que entorna,

Rompe séculos de imposição, erros e comoção

Exibe um cristianismo tão antigo quanto o oficial

Que perseguido, se manteve escondido e mortal;

Pequeno, distribuído, atuante e muito coerente

Mas que fora do poder, estava fora da história universal.

O movimento filho, libertador, alcança o mundo

E de jeito decisivo, proclama verdades que no fundo

Já era parte da pregação viva aos “escondidos”

E veio a remexer todo baú dos “eu confundo”.

Os filhos da Reforma, “aparados” pelos “escondidos”

Não tardaram a nascer nos muitos outros cantos

Melhorando ou não o conquistado na Reforma

Deflagraram tentos contra a igreja-mãe dos mantos

O que embelezou melhor a madorna

Vivida pela inclinação da igreja para a maioria.

O mundo estava retalhado, unanimidade findara

No jardim, já desfolhava todas espécies de flores.

A Renascença estava completa, até na religião

Nesta festa, muitos convidados meio irmãos.

Preço da Liberdade

Do alvorecer da história encomendada

Filhos, dos filhos, dos filhos, até muitas gerações

O cristianismo penou a duras provas armadas

O que mais fortaleceu o poder dos falastrões

A liberdade, santa liberdade, fonte das pancadas.

Século dezoito, os netos da Reforma também.

Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos

A fé cristã insiste em sobreviver como convém.

Homens, idéias, emocionalismos, fatalidades,

Começam a surgir uma religião emocional.

Confunde-se, troca-se, erra-se em valores novos.

Século dezenove e, os bisnetos da Reforma

Ampliam-se grossos rebeldes do ensino bíblico.

Não há mais limites, e vertentes, se adorna:

Num caminho, a emoção se joga a crescer

Noutro caminho, o intelecto se faz merecer.

Não se sabe se a vida cristã progredia ao céu

Ou se atolavam as vitórias do bisavô passado.

Século vinte, os mais grotescos descendentes.

Tudo é possível, permitido, tudo protegido pela ética

Tudo muito bem guardado.

Impérios religiosos se formam em métrica

Heresias destrutíveis dominam o mundo

Parecendo que ninguém era mais pagão

Parecendo que todos recantos longínquos

Todas as circunstâncias e avesso é cristão.

Talvez pior que antes do renascimento

O cristianismo se amarga em erros

Se esfacela em profundas diferenças

Fazendo crer que é tudo, menos avencas

Como se fosse o retrato dum enterro.

Talvez isso seja melhor que antes

Está aí a liberdade e o seu amargo preço

O fruto real e doloroso, muito marcante

Da defesa, da tese, de que todos podem ser avessos

Ao que todos crêem, ao que dizem obedecer

Graças a Deus por isto.

A Flor das Flores

Há um jardim imenso e variado de tudo

Religiões, crenças, fantasias, misticismos,

De toda espécie de folclore espiritual.

Nele, o cristianismo é outro diversificado

Um jardim vivo e multiplicador de flores

Espécies mil, na maioria, inacreditáveis.

Desde os primeiros tempos, e os primeiros erros,

Uma, das flores, a flor delas todas cantadas

Faz a grande e maravilhosa diferença.

Ela é pequena, sem graça, não atraente,

Versátil, teimosa, insistente e muito falaz

É a mesma em todo canto, mesma vertente,

Com nomes diferentes que lhe são dados

Por uma ou outra situação , ou gentes.

Ela é bíblica, ousada, muito ética, ingênua

Espontânea, viva, muito natural e crescente

A mesma, que com nomes diferentes, jeitos também

Prega e vive a mesma verdade de todas as mentes.

A flor das flores é como o lírio, em meia lama

Que apesar do lado em que se insere e confunde

Sobrevive quase como única e solitária de cama

Parecida, e até fundamentando todo o jardim

Mas incômoda às argüições de todas demais.

Calada, quase invisível, atravessou séculos

Na Reforma, não sendo a Reforma, ambientou

E até deu conteúdo ao que tudo disse e tentou,

Foi quem acolheu os reformadores por todos lados

Foi quem atendeu os obradores da fé.

Todas se formatam a ela, por isso desprezam-na,

Se inspiram no designe dela, mas desnudam-na

É a mãe de todas, mas a mais desprezada delas,

Os motivos que lhe imitam, são os que a provocam:

Doutrina, prática, “modus operande”, e jeitinhos

Tudo que faz a flor ser pacífica e atuante

Tudo que a faz invejada e incômoda.

Remanescente de Deus, Israel, entre nações

Braço único proclamador de Deus falar

Gente involuntária bíblica prometida aos porões

Carne saborosa, providência divina a proclamar.

O Intelectualismo

Uma História

É de arrepiar o que o intelecto faz com o homem,

Uma corda bem justa e segura que está à disposição

Tanto serve para ir buscar água na profunda cisterna

Quanto serve para um laço e o homem se enforcar.

O intelecto sombrio, cheio de boa intenção

Determinado pela necessidade da religiosidade

Abriu-se na história da descendência da Reforma.

As mais inovantes sugestões de ensino cristão

Contrário a tudo e a todos, em seu conteúdo,

Se afloram desordenadamente, sem mudos

Fazendo o mundo respirar orgias dos saber

Onde a fé de muitos passa a ser dirigida

Pela experiência interpretativa de nécios

Ambiciosos indoutos cheios de falsos argumentos

Como cabras criadas, meninos não tolos

Raposas vivas, coronéis da fé vacilante de muitos

Essas feras se multiplicaram indolentes

E se doaram a enganar a si e gratuitos

Provocando milhares à cegueira e ao fanatismo.

Medonhos e sanguinários em seus feitos

Dobraram e esconderam páginas da Bíblia,

Cravaram sem dó, pregões de crucifixo

No fixado e conservado em sua trilha

Pela flor das flores, o remanescente fiel.

No máximo de sua idolatria afronteira

Fizeram suas próprias escrituras fel

Criaram seus próprios enigmas de bandeira

Para se distinguirem em suas ousadias.

Do mais grotesco disso tudo, dignos de dó,

Idolatraram um dia, dizem que Deus é homem

Negam o inferno, desmerecem o céu, eternos,

Proíbem o de comer, liberam o de beber

São pálidos, arrogantes, proibidos de pensar

Discordam de quase tudo, em todo mundo,

Fanáticos a ponto de qualquer prejuízo.

Muito provavelmente, parece com certeza,

O inferno só será o qeu se pretende ser

Se todos, sem exceção, por lá estiver

Do jeito que são, como cada um crer.

Loucura aos Sábios

O Evangelho salvador do Senhor Jesus

É desta forma a se considerar, no intelecto,

Mais fácil, pra quem entende mais embaraçado

Mais complicado, para quem entende simplificado.

O Evangelho é loucura desmedida ao extremo

Para a inteligência mecanizada das religiões

Para a fé racionada de dúbios corações.

Parece até que se fosse algo possível e coerente,

Que a razão é o grande selecionador celeste

Quando a visão do entendimento é limitada

E somente uns “escolhidos” recebem contentes

Por iniciativa, somente, do Senhor Deus

Nisso, poderia ser, que a alma se atraia na fé

Mas o intelecto lhe trave a direção do pé.

Deus olha do trono, chora e ri do homem

Ri dos feitos, das preferências, e dos achados,

Das tolices, meninices e topadas que tomem.

Mais ri, porque fazem tudo isto, com entender

Não por ingenuidade, mas por determinação

Muito mais por ruindade, teimosia e coração.

Ele chora, com gritos de dor pelas conseqüências

Pelo amado distante e amargo, que por tolice,

Por soberba, brutalidade, e forte demência

Se afasta cada vez mais por tendência

Para o inferno de intelectualismo

Para o inferno do intelectualismo.

No mal do mal eterno, muitos já, habitarão,

Complexados, solteiros, religiosos, mundanos

Homens, filhos, viciados, capitalistas, ateus

Todos eles e todos aqueles que, pela razão

Se oferecem a crer pelo que dizer saber

Se dedicam a ser pelo que acreditam não ser.

O evangelho, o mesmo fácil que salva muitos

É o tropeço, com sua simplicidade, de muitos

É loucura, com o inexplicável, para os sábios

Este é o aviso encarnecido da Bíblia

A mesma que parece tão entendida a eles

Que, por eles, têm presságios de torpes lábios.

Ao Intelecto

“Santa” arma de destruir, reverência da razão

caminho estreito de plena e feliz provocação

rasteira moda que sabe se conduzir no macio

este é o intelecto, assim é esta feição.

Um hino lhe seja cantado com maestria

Exaltação ao potencial que nos faz animal

Louvores ao que somos capazes de racionar

E que com brandura se afana perenal.

Este arsenal estonteante, e bem confuso

Que salva, liberta, que se desenha intruso

Faz-se faca de dois gumes, bem penetrante;

Como automóvel, com suas peculiaridades,

Nos leva com rapidez ao porto seguro

E na mesma rapidez nos empurra ao abismo.

Uma, é tremenda diferença, o maduro,

O intelectualismo tem matado mais.

Esta amarra que poderia aconchegar

Fará o inferno ser pior, ser mais doloroso

Fará o lamento eterno ser mais venenoso

Será estopim de fratura com comoção

Quando afasta da porta estreita e fácil

Que o evangelho providencia de antemão,

E empurra para a larga, também complexa

Que o evangelho tanto alerta, na contramão.

Essa razão, sem razão, maluca de verdade

É a dose certa pra gerir o andar alheio

O ensaio astuto da criação, pra com malícia

Todo ser até, por intuição, encontrar-se no meio

E com performance, sobressair na mídia.

Essa razão desnaturada, quando de bela se faz feia

Retrato expurgado dum passado ostentoso

Dum presente acamado, dum futuro duvidoso

Cantado por delícias aparentes, fantasias

Armadilhas fatais, enlevos de cores finais

Que desnudam enfeitiçadamente

Toda realidade, toda comodidade

Os favores mais notáveis da mente

Que se envergonham de ser gente.

Emocionalismo

Outra História

Há, um outro fator que faz história

Que eleva a religião à arbitrariedade

Que defuma e maqueia a fé da multidão

Deformando o sentido primeiro do crer

A emoção, a emoção, a emoção.

Já contagiava na Idade Média, em mosteiros

Já extasiava antes e depois da Reforma,

Ela já ditou muitas espécies de heresias

Já demonstrou muita falsa fé de “borna

Homens aos milhares estiveram se enganando

Ou matando outros pelo que cria

Ou morrendo pelo que fazia.

Propriamente, a emoção cadavérica da fé

Rompeu as desgraças da história

Dos Wesleys aos demais de igarapé,

Dos Fineys aos ovais sem memória.

Em cada tempo, cada vez “mais pior

Esse veneno condizente faz vítimas da fé.

Os todos avivamentos da cronologia

Da igreja mãe aos descendentes da Reforma,

Se posicionaram advindos dessa coisa,

Aconteceram, com seus devaneios místicos

Fundamentados nesta urina que entorna

E fizeram adeptos do tempo e fora dele

Os que viram, viveram, contribuíram

Os que souberam, divulgam e encantam

Emoção é essa dor degradante.

Século vinte, o maior de todo o sufoco

Este laxante “dométrico” de fanfarra

Deflagra-se e aborrata o mundo todo

Se desmagra e arrebata a dor que amarra

Explode sem verdadeira consciência

Eclode itinerante pelos cantos da terra

Parecendo, falsamente, que a fé chegou

Mas reclamando com sincero interesse

O inferno que pretende e derrubou.

Confundir Emoção

Navalha afiada ao extremo de cortante

É o confundir emoção com devoção espiritual

É o confundir comoção com o ardor real

Que o espírito do homem precisa no existir.

Ela entorta qualquer verdade montante

Ela abre caminho pra novos falsos e antigos

Ela machuca os passos concretos entre amigos.

Entender o “arrepiar” como sinal de fé

Entender o “sentir” como marca de ideal

É mastigar com facilidade a comunhão

É definir o falso como verdade atual.

Andar por este espasmo de confusão

É criar prazer em se enganar e levar

Que muitos contagiados encontrem seu pesar.

Um bom político, seria um grande espiritual

Um bom psicólogo, seria um grande religioso

Um bom apresentador na mídia de então

Seria, com avidez, um grande maestro desta emoção

Hitler seria um papa, e o mundo inteiro

Com todas as suas diferenças, uma só religião.

O falar manso, o ser sensível, o ser choroso

Seriam características que os diabos precisariam

]para colocar o homem no céu.

A Bíblia não é emotiva, fala, não conduz a choros

Ela toca, remonta, transforma, incomoda

Ela faz, concretamente, muito mais, no interior

Não usa de “arrepios” ou “sentir”, é espiritual

A Bíblia, Palavra de Deus, condena emoção como meio

De entender as atitudes a serem tomadas

De compreender a vontade e decretos do criador

De empreender a condução malévola da adoração.

Este capeta instrumento do engano plural

Esta navalha de fio afiado e dominador

Existe para atrair multidões ao lagar da morte

Existe para justificar atitudes dos fortes

Existe para conservar os tolos no aprisco

Existe para agradar a ansiedade dos confiscos

Existe para arregimentar um grande exército

Para nunca mais sentir nada no engodo do inferno.

À Emoção

Rica, sábia, o próprio diabo em pessoa

Menina de aparência dócil, ingênua e agradável

Garota alegre, prazerosa, cheia de vigor em si

Estonteante rapariga de olhar confortável.

A emoção é a dor que todos querem ter

É a droga pesada que todos querem viver

É o vício angustiante que todos esperam.

Ela realiza toda comovente e atrativa religião

Canaliza e escraviza as marcas de uma atenção

Carefando, com astúcia, refazendo afeição

Fazendo tudo ser o que não é, uma podridão

Enganando multidão de todos a perecer.

Com seus tentáculos contaminantes e ruins

Se esbalça nas trevas do saber da maioria

Na distância faminta dos caídos serafins

Encorajando amigos e inimigos que caberia

Num estojo de “trouxas” de idéias afins.

Longos tentáculos, cheios de muita razão

Capazes de, não só enfronhar muitos ao mal

Mas, também, fazer contrários se sentirem

Como os mais errados dos homens vivos.

Ela não produz cegueira, é a pobre visão em si

Não produz escravos, mas é escravidão em pessoa

Quem souber manipular, saberá alcançar o mundo

Todos estarão a mercer dos seus intentos

É a mola que alavanca qualquer atitude

É o botão mágico que faz males, inventos

Que entusiasma o morto às virtudes.

Emoção, música nociva, falsa e traiçoeira

Que leva o homem ao que não quer ou acredita,

Que faz parecer uma cor, o que é de outra

Que comove ao máximo, sem que motivo haja.

Transforma o líder em déspota prepotente

Transforma o crer em aberração de vida

Transforma a pessoa em massa de gente contente

A emoção é uma doença tentadora e libida

A emoção é uma prensa de cachaça aguardente

A emoção é uma ofensa a todos envolvidos

Usa-a, o desonesto consigo e com os outros

Usa-a, o confesso a querer enganar a Deus.

E a Política

Necessidade Temporal

Estamos aqui, agora, não há como escapar

É preciso nos render a esta realidade

Conosco estão todas as gentes, todo mundo

Pessoas mil, de todos os jeitos, humanidade

Miríades de gostos, planos, sugestões

Carência urgente de boa convivência

Qualquer jeito de um relacionar de visões

Que produza progresso, e muita conveniência.

Tudo é política, até a ausência dela, é política

Do nada que uma atitude venha demonstrar

Dum tudo que uma febre venha arrastar

Ela é a necessidade temporal e artística

Que a co-existência, exige em seu lidar

É a fonte “romeira” que sempre renasce

E que com gosto de poeira se desfaz-se

De alguma formar, contribuindo em razão

No manuseio de relações que trace.

Numa canoagem frenética, mesmo com disfarce

A política arrasta, com fúria pertinaz

Todo concorrente, todos envolvidos

Fazendo marchar com a mesma audácia

Tudo que lhe caia na corrente que passa

Tudo que seja atingido pelo seu curso massa,

É esta força incontrolável, cheia de artimanhas

Cheia de jeitos e trejeitos, honestos ou não

De se montar bons ou mau arrojo

Criativos remos e lemes de se chegar de mão

No fim buscado, na maneira melhor ao povo.

Somos políticos, vivemos política, é a política

Apatia ou simpatia é extrato dela

É efeito que ela sabe assanhar em nós

É estreito que nela cabe amarrar em pós.

Somos políticos, vivemos política, é a política

Como traves que delimitam a existência

Como frases que facilitam a demência

É ela, nossa amiga, inimiga, divertida

Que faz homens inteiros se camuflarem

E com roupagem despertadora e ardil

Sufoca o bem e o mal numa só palavra gentil.

O Fim e os Meios

A angustia que mancha a beleza da arte

Que defuma a prática do gerenciar a lida

A seiva da convivência social, nunca a parte

Que a necessidade nos cobra para a vida:

Os fins justificam os meios a trilhar?

Ou os meios é que justificam os fins a moldar?

A política, os políticos sempre estão a sofrer

Diante do calor desta dúvida de Maquiavel

Tendo que escolher entre um destes correr

Explorando e se preparando de plantel

Para os preços e conseqüência que venha ter.

Quem deve tomar a decisão final da lide?

A consciência e suas ardilosas armadilhas?

O bom senso, mesmo que seja toda cultural?

O exemplo moluscado de outros em bandilhas?

A religião e o seu ideal utópico e confidencial?

O povo, e o que dizem carecer nas mantilhas?

O momento, não importa o que lhe traga?

O conselho, e a visão de quem se aliena?

A sorte, a porta que primeiro lhe bata à porta?

Ou a determinação do superior ou do aliado?

Quem deve tomar a decisão?

Os fins reclamam direitos

Os meios reclamam direitos

Os dois têm suas virtudes e defeitos.

Os dois têm suas graças e malefeitos

De um lado, muitos serão satisfeitos

Do outro, muitos serão cabrestos

E a política saberá tocar a vida de todos

Saberá endumentar fortes tendências

Que com sede de vitórias se aventurará

A mil peripécias infantis ou macabras.

A política não perdoa, ela trás resultados

Mesmo que não importe legítimo ou legal

Ela vai cobrar atitudes visando meio ou fim

Mas saberá recompensar os doutos com serafins.

Sem Provocar

A pesar de todas as políticas que existem

De todas as manhas que possa haver

Ainda há uma, a maior de todas que persistem

É a que alavanca todas, faz alma de se ter

É a política do não provocar, do respeitar

Do, mesmo opor, agir com classe

Fazendo tudo, mostrando não desmerecer.

Esta manobra política, tão fácil, tão difícil

Somente duas pessoas sabem como convir

Os sábios e os astutos, os bons e os maus

Aqueles que sabem, até discordar com tolerância

Que busca vencer o inimigo com fuga do caos

Que rebusca oportunidades sem atiçar a ganância

Agindo sabiamente até o objetivo final.

Há, também, aqueles que não sabem nada disso

Mas são motivos pela estratégia do depois

Que engolem mosquitos e elefantes, o vício

Que bajulam, falsificam até a si mesmos

Agindo astutamente até o objetivo final.

Essa melhor política, a mãe de todas as outras

É como um segredo do que faz grande diferença,

Que levanta e abate os vários aventureiros

Que perpetua ou esquece os tantos cantareiros,

Segredo que poucos sabem encontrar

Que menos podem entender pra viver

Que raros são capazes de se entrilhar

É um segredo público restrito a nenhuns.

Nas cantadas politiqueiras dos arrastões

Os vivos saberão sobreviver com este princípio

Eles saberão se conduzir pelos bordões.

Enquanto os mortos usarão outros passos

Contemplarão outros jeitos de se manifestar

Derramarão seus leites, intolerantemente

Como sendo o mais prudente que consigam

Como sendo o mais ágil que bendigam.

Estes, se não estiverem já mortos

É certo que morrerão no tempo ou na política.

A Política

A Arte Bendita

Um jeito estranho e bonito de viver

Esse jeito medonho de praticar poder

É arte bendita e contagiante de armar

De carimbar manobras de confortar

E ao mesmo tempo dizer amor.

Modelagem de fantoches

A política se refaz de cinzas mornas

Com desdobraduras de animal imponente.

Os homens que vivem sob tarjas

Semideuses desinteressados da realidade

São pregões enfeitiçados de fardas

Saboreadores famintos de falsas verdades.

São artistas

Tanto no jeito de querer o que não querem,

No jeito de pensar o que não pensam

De falar o que jamais falaram.

São artistas benditos

No conseguir ludibriar todos órfãos

Homens e mulheres desejosos de crer

Ardentes defensores de qualquer mentira.

Essa arte bendita, é bendita...

Ela faz “das tripas, coração”

Ela faz do caos um todo paraíso

Faz do perigo, um dote de mobilização.

Essa arte bendita, é bendita...

Faz humanos se tornarem senhores

Mais poderosos e mais dignos de esperanças

Do que o próprio Deus do povo,

Essa arte bendita, é bendita....

Ela é a própria camuflagem essencial

Que todos querem, todos precisam,

Urgente pílula que exprime pontencial

E que em pressa de quem urge futuro

Faz arrasoar as promessas do celestial.

Dominação por Excelência

Instinto excêntrico de fazer o poder

Manuseio de gerenciar vontade dos outros

Flâmula mosteira de saber o melhor

O jeito perfeito e miraculoso de viver

E fazer com que todos vivam.

A política tem outro poder em excelência:

Fazer homens encapuzados limitados,

Se sentirem sobrenaturais à demência

Homens que fazem de estúpidas margens

Armas de manuseio e confronto de decência.

O suor do político cheira dominação

Cheira árduo entusiasmo de limítrifes

Uma espécie de aroma de translouca paixão.

Quando se derramam pelas faces patéticas

Carregando ansiedade e choro de fome,

Merece atenção, infanta e mísera atenção.

Ao correr pelas rugas que parecem expressão

Fazem-se donativos, empréstimos de carinho

Que eleva os sentimentos, contagia todos

Inspirando esperanças e feitura de ninho.

Da mesma forma, são as mãos deles

A direita ou a esquerda, falanges ativas

Estendidas para buscar, receber, apreciar

Para denotar e robustecer palavras.

Suas mãos, muito vivas e delinqüentes

Aprontam-se com rapidez e primazia

Sempre que a necessidade se observa

Sempre que a necessidade se observa

Sempre que, se dela depender, a formar

Moldar situações de suas manias.

Dominação, de uma forma ou outra

Por simples excelência de alma,

A política se derrama numa existência

E como máscara, deslumbra bem

Fantasiando toda verdade que vença.

A Excelência

Desejada, flor mimosa de encantos mil

Arte montada que exprime ardor e fluência

Que sabe como armar e desarmar cantil

Jeitos e mais jeitos de trilhar a excelência.

A política, esse caminho delicioso atraente

Um jardim felizardo, esguil e auto-suficiente

É, e tem sido, um retrato vigor da gente

Em tempos e tempos se mostra contente

Parecendo que não há do que desesperar

Pode confiar, pode descansar, pode dormir.

A superioridade da arte de prover governos

É esta mancha que não suja nem suga

É esta prancha que não faz fuga nem ruga

É esta franja suportável que macula

Convicções, todas as pregações

As mais variadas maneiras de aberrações

Os políticos estão acima da política?

Os políticos são a própria política?

Um é o outro, ou o contrário do que diz?

Na verdade, a política é superior aos homens.

Ela é formada por eles, com seus defeitos

Mas é e está acima deles e do pensar!

Não há ser, sem esta arte de ser

Não há parecer, sem esta parte do crer

Não há crescer, sem esta face a beber

É ela que nos inspira, complica e domina

É ela que faz homens serem monstros

É ela que trás fantoches em morfina

É ela que refaz motes darem prontos

Ela é muito mais que se possa observar.

Religião que parece muito poder

É pouco, é nada, muito inferior a ela

E todas as vezes que ditou o mundo

Vestiu a camisa da arte do domínio sem par

Para ser o que foi, para ser maior que ela

Precisou esvaziar-se e conteudar o politicar.

O Povo Sofrido

Motivo de Poesias

Filhos da política, filhos sofridos

Gente que povoa o infinito pagão da vida

Que consola uns aos outros com dedicação

Que entrega com ânsia sua prevaricação

Fazendo festa de cada tempo da lida.

A maior efusão de sua frenesi enfática

Os políticos conhecem como ninguém:

São chicles em toda beira de calçada

Quanto mais se pisa se fazendo bem

Mais grudam de paixão e mãos atadas.

Como “mulher ruim”, na palavra de tantos

“choram pr’apanhar”, todo dia assim,

e quanto mais apanham, mais em prantos,

são fiéis, dedicados, menos interessados em si

como “mulher, menino e cão”, outros dizem,

precisam apanhar todos os dias no sono

pra nunca esquecer, na vida, que algum político é seu dono

Há, ainda, muitas outras dinastias nestes sofridos

que desenham um perfil sombrio e desatento,

e que os políticos, também, sabem como ninguém:

são aqueles que apesar de serem alvos certos

metas vivas e primárias de uma “esquerda”

que se lhe coloca como frente representativa,

gente capaz de pagar alto preço por eles,

desde a vida, a integridade, o bom senso,

desde os bens, o tempo e os ideais de vida,

eles buscam, sempre, sua própria “esquerda”.

Na “direita” que, está a seu lado, do lado

Parecendo que é um deles, arte deles.

Quanto mais a “esquerda” da frente

Se derrama a oferecer-se como prostituta

Mais a “esquerda” do lado o domina

E o povo sofrido, vive de esperanças

Também vive de desilusões efêmeras

Pois na primeira oportunidade esquece tudo

E reelegerá sua “esquerda” de mentira.

Motivo de Reeleições

Povo sofrido, pra que serve esta goma?

Pra que serve tanto grude nojento?

Pra quem serve essa gosma irrisória?

Serve, serve muito bem, muita utilidade.

Como o médico que tem a cura

Mas enriquece com a doença ingrata

Que seu paciente rico lhe insiste a cuidar.

Os pseudos cuidados a este povo agorento

Gera muitas alegrias a quem de direito;

A dívida moral e até anormal, crescerá

E todos se voltarão em agrados a desejar;

Sobras do orçado terá que encontrar dono

E a próxima campanha estará garantida,

E os gastos de ajudas, estas serão remetidas,

O conforto e futuro, a família será mantida.

Ainda assim

Como o boi que de tudo se aproveita bem

O povo sofrido, por fim, ainda tem serventia;

Como currais bem firmados e certos

Por último e depois de tudo: motivo de reeleição:

“Preciso continuar esta obra”, gritam aos pulmões

“Podem continuar contando comigo”, suas orações

e os danados continuam, se perpetuam,

tudo recomeça do mesmo jeito, nas canções

este povo continuará a penar

ora, pra que que serve este povo sofrido?

Pra quem que serve este entojo comido?

Serve pra tudo que seja contra eles mesmos

Serve pra ser ignorante e desinformado

Prá ser mula sem cabeça, crespos

Encabrestados de rabo preso a feder,

Serve pra tudo que seja contra eles mesmos

Serve pra ser informante e desafinado

Pra ser gula que mereça os ferpos

Arrebatados em cabo teso de ofender.

Serve pra tudo que seja contra eles mesmos

Pra tudo que seja contra eles mesmos.

Sempre Haverão

Há quem creia que Jesus determinava

Na verdade, ele avisava, talvez até alertava:

O povo sofrido sempre haverá

“Eles sempre estarão carentes, convosco”.

Fazem parte da paisagem de todos os tempos

Participam da pintura de todos os quadros

É or que nunca há de faltar.

Não podem deixar de existir

A beleza, o encanto, a forma, a vida depende deles:

Fazem e vivem romances

Fazem, inspiram e vivem toda arte.

Não podem deixar de existir

São pedras fundamentais na construção

São pedras que não falham na contra mão

Extensas paredes e coberturas da casa

Da habitação que a humanidade sonega a si.

Não podem deixar de existir

Para que os espertalhões, os medalhões

Não entre em extinção, em riscos,

E o desnível social, a ma distribuição de riquezas

Continue, se agrave, se acentue

E os ricos continuem abastados

E os pobres continuem, como felizes são,

Carentes, dependentes, emergentes

Gente sem nome, massa volúvel

Mendigos robustos e complexados

Que não acreditem em complicados.

Não podem deixar de existir

São como ar que todos carecemos

Como arroz, que todos merecemos

Como vestir, que nos oferecemos

Como trouxa que nos amanhecemos.

São, o que não podemos deixar de ter

São, o que não podemos deixar de ser

Não podem deixar de existir

Não podem deixar de se ferir.